| Foto: Por Charles01 - Wikipedia |
Em 1986 a General Motors Company acabava de adquirir a totalidade das cotas da fábrica britânica Lotus Car Limited, fundada pelo gênio do automobilismo Colin Chapman, em 1951. Também em 1986 era lançado na Europa o sedã grande Omega, criação da Opel alemã (também subsidiária GMC) e batizado de Carlton, na Inglaterra. Originou-se então uma espécie de comunhão entre Opel e Lotus, que criaram em série limitada um potentíssimo seda de luxo, para competir com os sedãs esportivos BMW M5 (340 cv) e Mercedes-Benz E36 AMG (272 cv). Com alma esportiva e muito conforto, o carro foi apresentado no Salão de Genebra de 1989 e comercializado a partir de 1990.
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| Foto: Divulgação/Opel |
Os veículos eram produzidos pela Opel, em Russelsheim, na Alemanha e mandados para os engenheiros operários em Norfolk, Inglaterra, onde seriam devidamente desmontados e transformados desde o assoalho dianteiro até os pneus, passando por suspensão, freios, motor e carroceria. O assoalho recebia uma nova caixa de câmbio (a mesma do Chevrolet Corvette ZR1) e a suspensão modificada, junto com sistemas de freios ABS redimencionados, para atenderem às novas exigências de conjunto. O carro era calçado então com novas e enormes rodas de liga leve aro 17" e pneus die perfil baixo 235/45ZR 17 na dianteira e 265/40 ZR 17 na traseira. Só esse detalhe já seria suficiente para identificar e modificar todo o carro e seu comportamento, mas os engenheiros da Lotus queriam mais.
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| Foto: O Parking |
Na carroceria, a Lotus deu tratamento aerodinâmico com sobriedade e elegância britânicas. Instalou aerofólio traseiro, minissaias laterais, os spoilers foram redesenhados e ganhou extensões nos para-lamas dianteiros e traseiros, eliminando os cortes retos para abrigarem as enormes rodas e pneus. Também foram abertas duas entradas de ar sobre o capô do motor para otimizar sua refrigeração e uma antena de teto fixada na extremidade traseira. Tudo isso conferiu um ar bastante agressivo e de extrema robustez, auxiliado por seu design original e seus 4,77 metros de comprimento. Internamente, as forrações das portas e bancos eram feitas em couro preto, traduzindo uma preocupação relevante com acabamento. O velocímetro ia até 300 km/h e contava com um relógio analógico. Foram extintos o computador de bordo e o limitador de velocidade, afinal, o carro é feito para ser pilotado.
Escondido sobre o capô está a vedete da festa. Os engenheiros ingleses da Lotus aperfeiçoaram o motor Opel de seis cilindros em linha de 165 cavalos a 5.800 rpm (mesmo usado nos primeiros Omega CD nacionais, vendidos entre o final de 1992 e o final de 1994) e o transformaram numa usina com 377 cavalos a 5.200 rpm e 57,9 kgfm de torque. Isso foi possível graças ao aumento do diâmetro e curso dos pistões, aumantando a cilindrada para 3.6 litros, adoção de quatro válvulas por cilindro e, principalmente, dois turbocompressores Garrett T25 com intercoolers especiais tipo ar/água que se apresentam a apenas 2.500 rotações.
A relação peso/potência desse carro com 1.690 quilos é de apenas 4,5 quilos por cavalo motor. Uma embreagem típica de competição, ou seja, dura, permite o manuseio da transmissão ZF manual de seis marchas, com velocidade máxima em quinta e efeito overdrive na última, que derruba os giros do motor. Um diferencial autoblocante, alongado para 3,45:1, evita que as rodas patinem quando se solta a cavalaria do motor. Os índices traduzem o contato como solo: 0 a 100 km/h em 5,4 segundos e velocidade máxima de 283 km/h - Essa era a velocidade máxima divulgada, porém, em testes feitos por revistas europeias, a velocidade final chegou a 301,4 kmh. Lembrando que há espaço para cinco passageiros, todos os luxos de um carro para viagens longas e, principalmente, um porta-malas para 520 litros de bagagem, antes de bascular o encosto do banco traseiro. Para quem tem curiosidade sobre o consumo, uma surpresa de economia, com a marca de 6,2 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada (120 km/h constantes). O preço de lançamento foi de US$ 80 mil na Europa.
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| Foto: Reginaldo de Campinas |
O Lotus Omega foi o sedã de 4 portas mais rápido do mundo na época, deixando os seus concorrentes alemães BMW M5 e Mercedes-Benz E36 AMG comendo poeira. A produção encerrou em 1992, antes do Chevrolet Omega ser lançado no Brasil. Foi vendido apenas na cor Verde Imperial, um verde escuro, parecido com preto.
O carro era muito visado pelos ladrões, já que era impossível outro carro acompanhar o Lotus Omega na estrada.
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| Foto: Reginaldo de Campinas |
Foram produzidas apenas 950 entre 1990 e 1992 unidades do carro, que foi vendido no Reino Unido como Vauxhall Carlton. Apenas uma unidade do Lotus Omega teria sido importada 0km para o Brasil. Em 1992, Alexandre Badolato fotografou um Lotus Omega em uma casa de praia vizinha a casa de sua família e segundo ele, o carro pertencia a um empresário do ramo de importação. Outro Lotus Omega está sendo criado pelo canal Garagem do Buda, a partir de um Omega CD 3.0 nacional.





